terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Testemunho: Deus é livre em sua escolha

Percebia a diferença... 
Sou uma feliz religiosa carmelita descalça, muito realizada e não me canso de agradecer a Deus a insigne graça de tão sublime vocação.
Nasci em São Paulo, meus pais, irmãos e toda a família eram protestantes, da Assembléia de Deus. Meu pai era pastor; minha casa era como que um centro de encontro dos crentes.
Desde os 6 anos, quando ia com meus irmãos - éramos dez - para a escola dominical, ao passarmos pela Igreja Católica, eu sentia verdadeira atração, muitas vezes conseguia fugir, e entrava na Igreja em plena missa, ficando abismada com tudo o que via.
Percebia uma diferença entre a igreja protestante e a Igreja Católica. Quando entrava na Igreja Católica tinha uma sensação de plenitude.  Sentia e via, então, como que o "verdadeiro Jesus" é a Verdade.
Meu pai percebeu meu procedimento, começou a me castigar severamente, humilhando-me diante dos irmãos e dos crentes, privando-me dos passeios da família, etc.
Assim mesmo era obrigada a acompanhar a todos, quando iam à igreja. Ao entrar na Escola Primária, comecei a tomar parte nas aulas de religião católica, causando admiração a minha professora, a qual conhecia toda a minha família; também aos meus irmãos e primos, brigavam comigo.

Clandestinamente...
Aos 12 anos, clandestinamente, procurei um sacerdote e uma família católica, pedindo que me ajudassem, pois queria ser batizada. O sacerdote que ouviu minhas confidências, examinou-me e achando-me bem preparada, batizou-me e deu-me a Primeira Comunhão.
Senti tanta felicidade, que chegando em casa, quase não consegui esconder minha celeste alegria, por ter recebido Jesus Eucaristíco e ser católica. Só depois de um ano minha família soube do ocorrido. Meu pai ficou tão indignado, que mudou para outra cidade, podendo, assim, esconder sua "vergonha". Nessa cidade nunca deixei de ir à missa.

O pai não me aceitou mais em casa...
Aos 17 anos, um dia voltando meu pai de sua igreja, não me encontrou em casa e ficou sabendo, que eu tinha ido à missa. Ficou tão indignado, nessa manhã, que não me aceitou mais em casa.  Minha pobre mãe, sofrendo, levou-me a outra cidade para a casa de uns amigos.
Nessa ocasião, Dom Jorge  bispo de Santo André SP, querendo abrir uma casa para crianças abandonadas, ofereceu-me para junto com algumas moças mais velhas e piedosas, tomarmos a direção da nova casa.
Lá fiquei até minha entrada para o Carmelo.
A alegria do Batismo para mim perdura até hoje.
Desde aquela época, senti o chamado para a vida claustral, já queria o Carmelo.

Aos 20 anos...
Completando 20 anos, sabendo que nessa idade meu pai não poderia tirar-me à força do Convento, entrei para o Carmelo na Capital de São Paulo. Dois anos depois, sendo noviça, saí daquele Mosteiro para a Fundação do Carmelo de Curitiba PR.

Passados 20 anos...
Passados 20 anos, meu pai, estando muito doente do coração, sentindo remorsos do que fez, veio visitar-me, com grande sacrifício por causa de sua saúde. Pediu-me perdão humildemente e ficou amigo de todas as Irmãs da comunidade. Algum tempo depois, faleceu, conformado com minha vocação religiosa, mas ainda chamando-me.

Maria Santíssima a quem muitíssimo amo...
Hoje depois de tantos anos vividos no Carmelo, sinto ainda a mesma emoção e gratidão para com Deus e Maria Santíssima, a quem muitíssimo amo, a mesma felicidade que senti no dia do meu Batismo e da primeira Comunhão, quando como disse acima, recebi a graça da vocação ao Carmelo, e quando me tornei católica, apostólica, romana.


Irmã Maria Celina do Menino Jesus

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sábado, 8 de janeiro de 2011

Testemunho: "Seduziste-me Senhor, e eu deixei-me seduzir"


Por essa altura, eu tinha terminado o curso e começado a dar aulas. Nesses primeiros anos, fui-me tornando mais consciente do chamado. Já antes havia sinais, mas não era ainda capaz de os compreender. Quando comecei a fazer mais silêncio, pude escutar uma Palavra dirigida a mim. Uma Palavra que é resposta às minhas perguntas e aos desejos mais profundos de cada ser humano. A vocação? No fundo é uma questão de Amor. Como todas as vocações. Há um Amor que te chama. E nós somos livres para responder. "Seduziste-me, Senhor, e eu deixei-me seduzir" - dizia eu com Jeremias (20,7). Havia outros jovens que tinham escutado a mesma Palavra e decidido viver o Evangelho. A sério. Coisa rara, neste e em todos os tempos. Já conhecíamos um pouco do mundo. Um mundo que promete muito e dá bem pouco. Que te acena com uma felicidade de "shopping". Liberdade e amores que te atam e não te salvam. E nós queríamos verdadeira liberdade. Amor sem condições. Sonhávamos e sonhamos que outro mundo é possível, porque o Reino já está no meio de nós, dentro de nós.
Carmelita? Sem dúvida. Porquê? A espiritualidade e os grandes mestres Teresa de Jesus, João da Cruz, Teresinha, Isabel da Trindade, Edith Stein... A oração contemplativa, o estilo de vida fraterno e simples, o apostolado. Estou convencido de que esta forma de viver e anunciar o Evangelho de Jesus é resposta para o nosso mundo. Um mundo em mutação contínua, onde haverá cada vez menos cristãos, mas muitos homens e mulheres que procuram aproximar-se do Mistério que nos envolve e habita.
Fr. João Rego do Menino Jesus

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Testemunho: É dificil ser carmelita?


Não,... é preciso apenas insistir na busca.

TESTEMUNHO VOCACIONAL

Irmã Maria Flávia, tenho 29 anos, estou no Carmelo há 7 anos.
Quando eu tinha 18 anos comecei a sentir um forte chamado de Deus para me consagrar a Ele.
Com um grupo de amigas começamos a nos reunir para rezar e discernir a vocação. Depois de algum tempo rezando, entramos numa comunidade de leigos consagrados. Comunidade Âmi.
Sempre tive uma atração pelo Carmelo, mas não ousava dizer que era vocação, pois achava que o Carmelo era uma vocação sublime e que não podia ser para mim e também porque conhecia muito pouco sobre ele.
Depois que entrei na comunidade Âmi esta atração aumentou, então, desconfiada de mim mesma, resolvi procurar o Carmelo, não como vocacionada, mas como curiosa para saber o que tinha nele que me atraia tanto. Lembro que eu saí do locutório com tanta alegria que parecia que “pisava nas nuvens”.
Fui vivendo com aquele sentimento que eu não podia entender, nem explicar. Passou mais um ano e meio, e então, eu já não podendo mais esconder, procurei o coordenador da comunidade e lhe disse o que eu sentia, ele me incentivou a procurar o Carmelo e pedir para fazer uma experiência.
Quando procurei o Carmelo, como eu pouco sabia sobre a vida nele e pouco podia explicar o que me atraia, a irmã que me atendeu, pediu que eu continuasse fazendo o discernimento e voltasse no ano seguinte. Sai do locutório dizendo para Deus que se fosse da vontade dele, Ele daria um jeito. Fiz um firme propósito de esquecer o que eu sentia, entregando para Deus e evitando pensar no Carmelo.
Deus tem os seus caminhos e vai-nos levando, pouco a pouco, a conhecer sua vontade.
Passaram-se seis meses. Eu rezava pedindo que Deus me conduzisse e pedia o auxilio de Nossa Senhora.
Lembro-me que era o mês de agosto quando percebi que Deus me chamava para a vida contemplativa. Decidi sair da comunidade onde estava, e arriscar mais uma vez, procurando novamente o Carmelo.
Desta vez foi diferente, as irmãs se sentiram-se mais seguras da minha vocação.
Acolheram -me com muito carinho. Fiz um acompanhamento e entrei na clausura dia 15 de outubro de 2002 Solenidade de nossa Santa Madre Teresa de Jesus.
Digo no silencio do meu coração: Deus deu-me uma vocação maravilhosa. E descobri que  a vocação para o Carmelo é  sublime, mas não é a vocação dos santos prontos e sim daqueles que se santificam cada dia.
Louvo e bendigo a Deus pela graça de fazer a minha Profissão Solene neste ano Jubilar do nosso Carmelo.
Irmã Maria Flávia de Jesus Crucificado o.c.d.

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